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17 abr, 2026

Único catarinense na Academia Brasileira de Letras, Godofredo de Oliveira Neto prova que a literatura do Estado vai além das fronteiras.

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No Dia do Livro, um olhar sobre a trajetória do escritor blumenauense que chegou ao lugar mais alto da literatura brasileira.

No dia 23 de abril, o mundo celebra o Dia Mundial do Livro, data instituída pela UNESCO (United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization) para homenagear a leitura, os autores e a cultura literária. No Brasil, a data é também uma oportunidade de olhar para a riqueza da produção literária nacional, incluindo a que vem de Santa Catarina.

O Estado tem uma tradição literária rica e diversa, revelando ao Brasil Cruz e Sousa (1861–1898), nascido em Desterro, atual Florianópolis, e maior poeta simbolista brasileiro. Também é terra de nomes como Urda Klueger, reconhecida por obras que resgatam a história e a cultura catarinense; Marcelo Labes, vencedor do Prêmio Jabuti com romances como Paraízo-Paraguai e Enclave; e Maicon Tenfen, escritor de Ituporanga com mais de duas dezenas de títulos publicados entre romances, contos, crônicas e ensaios. Atualmente, um dos maiores símbolos dessa presença no cenário nacional é o escritor blumenauense Godofredo de Oliveira Neto, único catarinense a integrar a Academia Brasileira de Letras (ABL), a mais prestigiada instituição literária do país.

Membro da ABL desde 2022, Godofredo construiu ao longo de mais de quatro décadas uma obra extensa e premiada, com mais de 20 livros publicados e traduções para idiomas como francês, inglês, vietnamita, italiano e búlgaro. Professor Titular de Literatura Brasileira na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ocupa a Cadeira 35 da ABL, onde sucedeu o acadêmico Candido Mendes de Almeida, e também a Cadeira 10 da Academia Catarinense de Letras.

Embora viva há muitos anos no Rio de Janeiro, o escritor faz questão de reafirmar suas origens. “Embora meu trabalho tenha ganhado destaque em todo o Brasil e até em outros países, minhas raízes estão em Santa Catarina. Blumenau foi o lugar onde minha formação cultural começou e onde nasceram muitas das referências que me acompanham até hoje”, afirma.

Para ele, a data também é um convite à reflexão sobre o papel da literatura regional. “Santa Catarina tem uma riqueza cultural muito grande, e a literatura tem um papel fundamental em registrar e ampliar essa diversidade. Como escritor e professor, sempre procurei contribuir para que essa produção tenha espaço e reconhecimento”, completa o autor.

Alguns dos principais livros de Godofredo de Oliveira Neto:

  • O Bruxo do Contestado (1996) — romance inspirado na história e na cultura do interior de Santa Catarina, apontado como revelação do ano pela Folha de S. Paulo e pela revista Veja
  • Ana e a Margem do Rio (2002) — narrativa que entrelaça mitos indígenas brasileiros e valores da civilização ocidental, publicada em inglês em Nova Deli, Índia
  • Cruz e Sousa: O Poeta Alforriado (2010) — biografia do maior nome do Simbolismo brasileiro, filho de ex-escravizados, nascido em Florianópolis
  • Amores Exilados (2011) — romance sobre a experiência do exílio político
  • Grito (2016) — vencedor do Prêmio Romance da Academia Catarinense de Letras e da União Brasileira de Escritores, eleito pelo jornal O Globo um dos 13 romances brasileiros mais importantes do ano
  • Marcelino (2019) — romance ambientado em 1942 que acompanha um jovem pescador descendente de guaranis, africanos e açorianos, arrancado de seu vilarejo no litoral catarinense e lançado nas tramas políticas do Estado Novo no Rio de Janeiro
  • O Desenho Extraviado de Hieronymus Bosch (2023) — trama que percorre Nova York, Veneza e Florianópolis, publicado em francês (Esquisse) e em vietnamita
  • A Ficcionista (2025) — obra mais recente, que embaralha ficção, misticismo e realidade a partir da investigação de uma personagem enigmática

Sobre o autor
Godofredo de Oliveira Neto nasceu em Blumenau em 1951. Estudou no Colégio Sagrada Família e no Colégio Santo Antônio antes de cursar Direito e Letras na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde posteriormente realizou sua carreira acadêmica como Professor Titular de Literatura Brasileira. Fez pós-graduação na Universidade de Sorbonne, em Paris. É membro da Academia Brasileira de Letras desde 2022, ocupa a Cadeira 10 da Academia Catarinense de Letras e é autor de mais de 20 livros premiados, entre romances, contos, ensaios e obras acadêmicas, com traduções publicadas em diversos países, incluindo França, Estados Unidos, Vietnã, Índia, Itália e Bulgária.

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