Aluna conta como oficinas da Pró-Família a ajudaram na recuperação das sequelas da Covid
Erondina Mittlemann passou a fazer aulas de coral, flauta e teclado para melhorar a respiração e a memória.
“Voltei a ser a pessoa que eu era”. Assim a assistente social aposentada Erondina Mittelmann define o efeito que as oficinas da Secretaria da Família tiveram em sua saúde e em sua qualidade de vida. Há pouco mais de um ano, ela lidava com as sequelas que um quadro forte de Covid-19 e o isolamento social lhe provocaram: perdas de memória e dificuldades de respiração.
Erondina já era aluna da Pró-Família antes da pandemia. Logo que se aposentou, decidiu se inscrever nas aulas de coral, pois sempre gostou muito de cantar. Com a suspensão das aulas presenciais, por questões preventivas, ela continuou participando dos encontros on-line – mas já não era a mesma coisa. “Eu era muito ativa e de repente tudo na minha vida parou”, relembra.
Depois de contrair o coronavírus, além do emocional que já estava abalado por conta do isolamento, ela percebeu que estava com o raciocínio mais lento e com falhas na memória. “Eu não me reconhecia mais. Decidi procurar um neurologista, pois estava me sentindo mal com tudo isso, e comecei a tomar remédio para a memória”, conta.
Em 2022, as aulas presenciais da Pró-Família voltaram. E Erondina não perdeu tempo. Fez a rematrícula no coral e se inscreveu em outras duas aulas de música: o teclado e a flauta doce pra lhe ajudar com a dificuldade de respiração. “Depois de quatro meses, voltei ao médico e, para minha alegria, a medicação foi suspensa e eu recebi alta. Na consulta, o médico me perguntou o que eu estava fazendo e contei sobre as aulas de música”, detalha.
Hoje, além das aulas musicais, Erondina faz aulas de ginástica e pintura, frequentando a Pró-Família três vezes por semana. “Assim como as aulas foram muito importantes pra mim, acredito que possam fazer bem também a outras pessoas. O médico me elogiou por frequentar as aulas e explicou a importância delas para manter o cérebro ativo. Por isso compartilho minha história”, completa.
De acordo com a neurologista Lessandra Esper Abdala Gomes, que atua na Policlínica de Especialidades Lindolf Bell, o treinamento instrumental é uma experiência que desenvole uma série de habilidades. “Estudos têm mostrado consistentemente correlações entre músicos experientes e mudanças na estrutura do cérebro, o que chamamos de neuroplasticidade. Ela é mais ativa quando o cérebro está mais jovem, porém não deixa de existir mesmo após certas faixas etárias. Há estudos que mostram que pessoas com mais de 60 anos, que aprenderam a partir daí a tocar um instrumento musical, demonstram melhores resultados em testes de memória, habilidades motoras e atenção, além de apresentarem influência positiva no equilíbrio e na marcha”, explica.
Para a professora da Pró-Família, Débora Roedel, a música na terceira idade também resgata lembranças. “Quando ela é trabalhada no coletivo, se constroem processos educativos, como socialização, partilha de ideias, prazer e musicalidade. A música também trabalha as questões de mobilidade, ritmo e movimento corporal”, complementa. Atualmente, ela leciona para 110 alunos nas turmas de coral, 12 na flauta doce e 36 no teclado. “Ainda temos vagas no coral, para quem se interessar”, avisa.
Assim como todas as oficinas da Pró-Família, as aulas de coral são gratuitas e ofertadas a pessoas com mais de 60 anos que residem em Blumenau. Elas ocorrem no prédio do Pró-Idoso, nas terças e quartas-feiras. Interessados podem procurar a secretaria para se inscrever, na Rua Itapiranga, nº 368, ou obter mais informações pelo telefone 3381-6972.
Assessora de Comunicação: Aline Franzoi Santos Fleith
Fonte: Prefeitura de Blumenau

